terça-feira, 11 de junho de 2013

Por que o Brasil quer ser um fornecedor de ajuda internacional?


Foto: Embrapa

Desde meados dos anos 2000 o Brasil vem buscando posição de liderança internacional nos assuntos relacionados à segurança alimentar e nutricional. As razões para esse novo posicionamento (já abordado em posts anteriores) ainda precisam ser pesquisadas mais a fundo, afinal, por que um país em desenvolvimento, que possui inúmeros problemas sociais domésticos, vai investir seus escassos recursos no exterior?

Respostas simplistas a essa pergunta – que é da maior importância – devem ser descartas. É preciso buscar respostas mais objetivas e, talvez, o campo da política externa possa oferecer algumas pistas.

Tomemos o caso da cooperação técnica realizada pela Embrapa na África [1]. Atualmente, o escritório da Embrapa em Gana é responsável por 42 projetos de capacitação técnica em várias regiões do continente africano, atendendo a mais de 20 países. Os projetos visam formar recursos humanos e de transferir tecnologia, tendo como um dos principais objetivos o louvável combate à insegurança alimentar por meio do aumento da capacidade produtiva.

Mas, pera aí... Não foi o próprio governo brasileiro que disse que “tecnologia não se dá”? [2] Pois então, hipóteses de altruísmo ou ‘ideologização’ da política externa brasileira parecem menos atrativas do que aquelas que podem oferecer ganhos concretos para o país – ou melhor, para os países, o Brasil e os receptores.

Uma primeira possibilidade é a exposta por Carlos Santana, coordenador de projetos estruturantes da Secretaria de Relações Internacionais da Embrapa, “À medida que os países africanos desenvolvem a agricultura, aumenta a demanda por máquinas e insumos, criando um efeito multiplicador que passa a gerar essa demanda. Criam-se novos mercados que não são cativos. Há conhecimentos adquiridos lá que também utilizaremos aqui” [3].

Por volta dos anos 1960, os Estados Unidos passaram a promover mundo afora uma nova maneira de se produzir bens agrícolas. Era a chamada Revolução Verde, que aumentava a produtividade ao utilizar intensamente insumos científica e tecnologicamente sofisticados. As empresas americanas estavam, certamente, entre as maiores fornecedoras desses insumos. Será que a cooperação internacional brasileira tem algo disso?

Outro objetivo que pode sublinhar a cooperação técnica brasileira é a obtenção de apoio político internacional para o país. Será que os votos obtidos por Roberto Azevêdo para dirigir a OMC foram construídos valendo-se do perfil da política externa brasileira, que parece fornecer ajuda internacional sem impor condicionalidades? Que reivindica um tratamento diferenciado para o tema agroalimentar?

Esse conjunto de questões apenas reforça a necessidade de entendermos melhor esse novo papel do Brasil na cooperação internacional que, país de contrastes, fornece ajuda mesmo sem ter o bastante para si.

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