quinta-feira, 30 de maio de 2013

Marcha mundial contra a Monsanto leva às ruas milhares de pessoas em 52 países




Foto de Balafenn Unvezh. Retirado do site: www.mst.org.br

Milhares de pessoas de 52 países foram às ruas pressionar a rotulagem de alimentos processados que contenham algum tipo de ingrediente transgênico. O protesto, ocorrido no dia 25 de maio, tinha como alvo principal a multinacional norte-americana Monsanto, uma das líderes mundiais em desenvolvimento e produção de sementes modificadas geneticamente. Com o uso do slogan “É meu direito saber”, os manifestantes defendiam que sementes estão sendo transportadas pelo vento, causando a contaminação de lavouras convencionais e orgânicas.[1]

Em uma página na internet intitulada March Against Monsanto, publicada em pelo menos quatro idiomas diferentes, os ativistas justificam suas reivindicações  que vão desde problemas de saúde causados pelas sementes modificadas a acusações de favoritismos políticos[2].

Uma semana antes, o senado dos Estados Unidos havia rejeitado por maioria uma ementa que requeria a rotulagem, parecendo ceder ao lobby da Organização das Indústrias de Biotecnologia, que incluem não só a Monsanto, mas também a DuPont Pionner, a  Syngenta, entre outras. Neste caso, o argumento é de que a identificação obrigatória poderia confundir os clientes, levando-os a acreditar que os produtos não são seguros.

No Brasil, o evento trouxe repercussão. O MST, por exemplo, manifestou sua opinião quando afirmou que “a Monsanto é responsável pela perda de diversidade das culturas no campo, substituindo as sementes crioulas pelas transgênicas, exigindo royalties dos produtores que utilizam a tecnologia; pelo uso intensivo de agrotóxicos; pelo monopólio de mercado dos alimentos e por sufocar estudos e pesquisadores que apontam malefícios à saúde advindos do cultivo de transgênicos” [3].

Do mesmo modo, João Paulo Amaral, pesquisador da Idec, defendeu que uma das ideias da marcha é a exigência de uma alimentação mais justa e sustentável. Para ele, o sistema atual está nas mãos de empresas como a Monsanto, não permitindo uma distribuição mais equilibrada dos alimentos e nem de uma agricultura inclusiva [4].

Em defesa, a Monsanto assegura que suas sementes possibilitam maior produtividade agrícola em uma mesma área plantada, o que conserva os recursos naturais como água e energia.

Apesar das acusações, ainda não existe uma série histórica que comprove que as alterações genéticas possam levar a problemas de saúde ou ao meio ambiente. No entanto, outras questões merecem reflexões, como por exemplo, o impacto dos produtos transgênicos no mercado e seus efeitos nas pequenas produções agrícolas que ainda não possuem acesso à essa biotecnologia.

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