O
FomeRI convida a comunidade acadêmica a participar do Grupo de Estudos sobre
"Estrangeirização de terras: poder internacional e (in)segurança
alimentar".
Os encontros ocorrerão quinzenalmente, às quintas-feiras, às 14h, no Departamento de Relações Internacionais da UFPB. O grupo é aberto a todos(as).
Interessados(as)
devem enviar email para erbenia47@gmail.com.
Ementa:
O Land
Grabbing (Land Rush, Acarapamiento, Estrangeirização de terras) é
tema que ganhou atenção desde a crise alimentar de 2007/08. Não por se tratar
de fenômeno novo, mas pela intensidade e pelas particularidades que,
supostamente, assumiu neste início de século. Milhões de hectares de terras têm
trocado de mãos, das mais diversas formas e com os mais variados motivos,
gerando, em muitos casos, efeitos colaterais negativos em termos
sócio-ambientais. Inicialmente, as hipóteses gravitavam em torno da preocupação
com o abastecimento alimentar e, diante da alta dos alimentos e da
financeirização das commodities agrícolas, da especulação financeira.
Posteriormente, analistas passaram a identificar que o fenômeno poderia ter
outras motivações, como o controle de recursos energéticos biológicos ou
minerais, de rotas de transporte, fontes de água, ou simplesmente a busca por
novas oportunidades de lucro via produção.
As
desavenças não param por aí e, por ser multifacetado, há na literatura uma
enorme dificuldade em caracterizá-lo. Observa-se, por exemplo, que as terras
mudam de mãos por compra, arrendamento, empréstimo, cessão, entre outros modos,
realizados em operações entre governos, entre governos e investidores privados,
ou entre particulares nacionais ou estrangeiros. As operações podem ser
acompanhadas de acordos de cooperação internacional técnica, visando
desenvolver capacidades produtivas locais, ou ser parte de contratos de
extração de recursos naturais com destinação garantida ao exterior.
O
que há de diferente em relação aos processos anteriores de tomada de terras,
como aqueles relativos à colonização do Brasil ou à “Partilha da África”,
apenas para dar dois exemplos mais óbvios, é que nos processos recentes,
pós-Guerra Fria, o fenômeno tem recorrido em menor grau às invasões militares.
Não que elas sejam completamente descartadas – como nos lembram a última guerra
do Iraque ou a da Líbia. Mas, o fenômeno global tem sido mais realizado por
meio de projetos de cooperação internacional e de operações de investimento e
comércio. Tem havido, inclusive, esforços de Organizações Intergovernamentais,
como o Banco Mundial, para – em tese – criar um regime de governança para que a
aquisição de terras ocorra de maneira mais legítima e menos nociva às
populações que deixam de ter acesso a elas, algo cujo altruísmo é amplamente
contestado por muitas Organizações Não-Governamentais.
Um
dos principais elementos que chama a atenção para o Land Grabbing,
aliás, é o fato de as operações de transferência de controle produzirem efeitos
colaterais negativos para populações locais. Os novos titulares das terras
acabam gerando o deslocamento de comunidades, que podem perder o acesso à terra
e à água e a regiões culturalmente importante. A introdução de investidores
estrangeiros pode mudar a estrutura produtiva local e, assim, o modo de vida de
coletividades.
Outro
elemento aparentemente novo, ao menos em escala, é a participação de países em
desenvolvimento como grabbers. De fato, buscam novas terras países
tão diversos quanto a Coreia do Sul e o Japão, Arábia Saudita, Noruega, Estados
Unidos, Índia, China, Argentina e Brasil. Mas, o fato de países
semiperiféricos, em desenvolvimento, participarem do processo parece ter alguma
novidade. Se antes o controle estrangeiro de terras se dava quase que totalmente
em termos Norte-Sul, no século XXI há forte ação Sul-Sul e algumas Sul-Norte.
O
objetivo deste programa de estudos é fazer uma abordagem introdutória deste
tema, buscando levantar questões que relacionem abastecimento alimentar,
estratégias de desenvolvimento agrícola, ordem econômica contemporânea e
política internacional.
Cronograma
1)
Introdução – O que é Land Grabbing, Land Rush,
Estrangeirização de Terras, Acarapamiento? (31/03, 14h)
MARGULIS,
Matias, McKEON, Nora e BORRAS JR. Saturnino M. 2013. “Land grabbing and global
governance: critical perspectives”. Globalizations. 10(1).
2) Território, terra e
campo (14/04, 14h)
SAUER, Sérgio. 2012. “Land and Territory: Meanings
of Land between Modernity
and Tradition” Agrarian South: Journal of Political Economy. 1(1) 85-107.
3) Investimento,
reestruturação produtiva e desenvolvimento? (28/04, 14h)
DE SCHUTTER, Olivier. “How not to
think of land-grabbing: three critiques of large-scale investments in
farmland”, The Journal of Peasant Studies, 38(2), 249-279.
4) Land
Grabbing e abastecimento alimentar: questionando o suprimento via
mercado internacional? (12/05, 14h)
FRIEDMANN, Harriet. 1992. “Distance and Durability:
Shaky Foundations of the World Food”. Third World Quarterly, 13(2),
1992.
McMICHAEL, Phillip. 2013. “Land Grabbing as
Security Mercantilism in International Relations”. Globalizations,
10(1), 47-64.
5) Sul Global como agente
do Land Grabbing? (26/05, 14h)
MARTIN, William G. e PALAT, Ravi Arvind. 2014.
“Asian land acquisitions in Africa: beyond the ‘New Bandung’ or a ‘new
colonialism”. Agrarian South: Journal of Political Economy. 3(1).
125-150.
MOYO, Sam; YEROS, Paris e JHA, Praveen. 2012.
“Imperialism and primitive accumulation: notes on the new scramble for
Africa”. Agrarian South: Journal of Political
Economy. 1(2).
6)
O duplo papel do Brasil no Land Grabbing? (09/06, 14h)
CLEMENTS,
Elizabeth Alice e FERNANDES, Bernardo Mançano. 2013. “Estrangeirização da
terra, agronegócio e campesinato no Brasil e em Moçambique”. Observador
Rural. (6), 1-31.
SAUER,
Sérgio, e LEITE, Sergio Pereira.. Expansão agrícola, preços e apropriação de
terra por estrangeiros no Brasil. Revista de Economia e Sociologia
Rural, Vol. 50, nº 3, 2012.
LOCAL: Departamento de Relações
Internacionais - CCSA - UFPB.
TEXTOS: A serem disponibilizados aos interessados
TEXTOS: A serem disponibilizados aos interessados
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