quinta-feira, 25 de abril de 2019

Corrida global por terras: Os Estados Unidos como alvo? Por Thiago Lima e Erbênia Lourenço

RESUMO

As primeiras décadas do século XXI têm sido marcadas por uma corrida global por terras, desencadeada pelas crises agroalimentar, energética, climática e econômico-financeira. O objetivo deste artigo é analisar se os Estados Unidos estiveram na rota dessa corrida. Para tanto, examinamos dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (United States Department of Agriculture – USDA) e bibliografia especializada, e identificamos que a porção de terras em mãos estrangeiras dobrou entre 2004 e 2014. Elencamos motivos que podem ter levado a esse salto, bem como abordamos reações sociais e políticas que contestam esse movimento.

Palavras-chave: Estados Unidos; estrangeirização de terras; corrida global por terras; investimentos em terras.

"CORRIDA GLOBAL POR TERRAS: OS ESTADOS UNIDOS COMO ALVO?" Tempo do Mundo, Volume 4, Número 2 - Março 2019

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terça-feira, 2 de abril de 2019

"Segurança alimentar russa: estratégia de autonomia para uma estrutura internacional de incertezas", por Thiago Lima e Atos Dias

Resumo:
A insegurança alimentar está atrelada à debilidade do Estado e à instabilidade social. A Rússia contemporânea não parece fugir a esta tendência. Dentre os fatores que podem ter alavancado uma maior preocupação do governo russo em garantir a segurança alimentar estão: as crises dos anos 2000 (sobretudo a alimentar), que expôs a instabilidade do mercado internacional de alimentos; e as sanções impostas pelos governos ocidentais em retaliação às investidas geopolíticas da Rússia no seu entorno. Este artigo – a partir de uma revisão bibliográfica, análise de dados econômicos e exame documental – procurou entender como se dá a estratégia de segurança alimentar da Rússia, intitulada “Doutrina Russa”. Ficou perceptível que a “Doutrina Russa” é uma expressão da busca do Kremlin por redução das vulnerabilidades econômicas do país em um contexto geopolítico que lhe é inóspito, bem como de uma reinserção econômica internacional mais soberana e mais favorável à sua projeção de poder.

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LIMA, Thiago; DIAS, Atos. Segurança alimentar russa: estratégia de autonomia para uma estrutura internacional de incertezas. Rev. Brasileira de Estudos de Defesa. v. 5, nº 1, jan./jun. 2018, p. 273-294
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sexta-feira, 22 de março de 2019

Land foreignisation in Brazil: contemporary issues regarding law, investments and transnational land acquisition.

Journal of Public Administration (África do Sul) publica artigo de prof. Thiago Lima e Iale Pereira.

O artigo, que integra número especial que discute a reforma agrária na África do Sul. se insere na linha de pesquisa sobre Estrangeirização de terras no sistema internacional contemporâneo, coduzida no âmbito do Grupo de Pesquisa sobre Fome e Relações Internacionais (FomeRI). Confira o abstract:

ABSTRACT

Despite its huge agricultural landmass, Brazil is a country marked by continuous social conflicts around the distribution of land, and the agrarian reform has never advanced enough to accommodate the millions of landless families. Recently, this issue received another ingredient, as Michel Temer's government is pursuing the liberalization of transnational acquisition of land, arguing that this would boost investment in infrastructure and in the modernization of production. Critics say that it would increase the price of land, complicating further the attempts of land redistribution either through disappropriation or indenization. Besides, it would push the agricultural frontier deeper inside the country, jeopardizing peasants and the ecosystem. This article aims to present this discussion by analyzing, through qualitative literature assessment, the current government efforts in the context of the global land rush. To do so, we depart from the Agro-Industrial Complex perspective to provide a brief historical background of the land issue since the mid-20th Century, analyze the changes in the law from the 1990s to the present and identify the coalition of forces that are engaged in the struggle.

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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Obesidade, desnutrição e mudança do clima formam pandemia tripla, diz relatório do The Lancet

Documento de 43 cientistas recomenda abordagem unificada para os três problemas com ênfase na produção de alimentos.
FÁBIO DE CASTRO, originalmente publicado em Direto da Ciência.

Em um novo relatório publicado na revista científica médica Lancet, um grupo de pesquisadores aponta que as mudanças climáticas, a obesidade e a desnutrição têm causas tão interconectadas que devem ser enfrentadas como um só problema. E recomenda uma mudança radical em todo o sistema de produção de alimentos que, segundo os cientistas, favorece lucros privados em detrimento da saúde.

Os 43 autores do relatório atuam em áreas como pesquisa clínica, ciências climáticas e saúde pública. Segundo eles, a obesidade, a desnutrição e as mudanças climáticas são três pandemias tão interconectadas que, em conjunto, podem ser definidas como uma “sindemia global”.

No documento, o termo “sindemia” foi adotado pelos autores como “duas ou mais pandemias que ocorrem simultaneamente, interagem entre si e são produzidas pelos mesmos fatores sociais ou econômicos”.


Efeitos em cascata
No relatório, publicado em 27 de janeiro, a Comissão da Lancet sobre Obesidade faz um apelo “por repensar radicalmente os modelos de negócios, sistemas alimentares, engajamento da sociedade civil e da governança nacional e internacional para enfrentar a sindemia global de obesidade, desnutrição e mudanças climáticas”.

Os autores explicam que os eventos climáticos extremos produzidos pelas mudanças climáticas têm efeitos em cascata sobre a saúde humana.

“Reconhecemos que a desnutrição e a obesidade estão associadas às mudanças climáticas, especialmente como resultado da produção agrícola”, disse um dos autores do relatório, William Dietz, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.

“Por exemplo, a produção de carne gera muitos gases de efeito estufa, o que agrava as mudanças climáticas e os eventos catastróficos, com efeitos negativos na agricultura, o que acaba contribuindo para a má nutrição, levando à obesidade ou desnutrição”, afirmou Dietz.



Mundo corporativo
Segundo os autores, como o sistema alimentar globalizado é responsável por 20% das emissões de gases de efeito estufa e, ao mesmo tempo, é uma das causas da obesidade e da desnutrição, reformas nesse sistema podem mitigar os três problemas simultaneamente.

As propostas incluem elevar impostos sobre a carne vermelha e criar um tratado internacional com foco nas empresas multinacionais de alimentos, semelhante à convenção da Organização Mundial da Saúde sobre o controle de tabaco.

Mas o principal é uma reforma radical no mundo corporativo. De acordo com os autores, os lobbies das grandes empresas exercem sua influência em legisladores e distorcem as políticas públicas voltadas para os fabricantes de comida processada e as empresas de fast food.

O relatório, que apresenta o negócio da alimentação como “o motor da sindemia global”, descreve como os sistemas econômicos e políticos permitem que as empresas privatizem os lucros e socializem os custos das pandemias.



Mudar as regras do jogo
“O relatório aponta que a atual regra do jogo do mercado não está funcionando e que precisamos urgentemente agir em relação a isso”, disse a socióloga brasileira Paula Johns, diretora-presidente da organização ACT Promoção da Saúde, que acompanhou o lançamento do relatório, realizado na Tailândia, em 27 de janeiro.

Paula sugere que o poder público deveria mudar as regras do jogo para que as empresas incorporem nos preços de seus produtos os impactos negativos sobre o meio ambiente e a saúde, reduzindo assim seus impactos.

“No Brasil, só para começar, precisamos urgentemente acabar com os subsídios para refrigerantes na Zona Franca de Manaus. E precisamos mudar as regras para que as externalidades dos produtos façam parte da composição do preço final”, disse Paula.

Segundo ela, cabe ao poder público dos países executar essas iniciativas, buscando um tratado global e levando essas demandas para os fóruns multilaterais. A sociedade civil, por sua vez, tem o papel de pressionar o governo e chamar atenção para a importância do tema.

“No caso das empresas, o relatório é bem contundente em dizer que elas não devem participar da formulação de políticas públicas, que, no caso de multinacionais de ultraprocessados e outras do atual sistema alimentar, é que estão causando o problema”, disse Paula.

Segundo ela, durante o lançamento do relatório, vários especialistas comentaram que, se as empresas querem ser parte da solução, elas deveriam parar de investir milhões em lobbies para impedir a implementação de políticas públicas efetivas.

“Não estou dizendo que as empresas são más, mas elas também são parte de um sistema que hoje premia práticas que são nocivas para todos – o que ficou evidente no colapso da barragem de Brumadinho e em tantas outras tragédias anunciadas pelas práticas e políticas das grandes corporações que fazem qualquer negócio para permanecer competitivas. Não podemos permitir um mercado onde o lucro seja mais importante do que a saúde das pessoas e do planeta”, disse Paula.
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