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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Clipping FomeRI (23/nov/14 a 29/nov/14)

Nesta série de posts selecionaremos links importantes de reportagens, artigos científicos ou textos de blogs sobre o assuntos relacionados a fome, a segurança alimentar e nutricional, e as Relações Internacionais.

Trabalhador e banca de legumes
Brasil
  • Ocorreu no domingo 30/11 uma Cerimônia em Roma na sede da FAO em homenagem aos 12 países com progressos recentes na luta contra a fome: Brasil, Camarões, Etiópia, Gabão, Gâmbia, Irã, Malásia, Mauritânia, Ilhas Maurícias, México, Filipinas e o Uruguai. Todos estes países alcançaram o primeiro dos Objetivos do desenvolvimento do Milênio – que é o de reduzir à metade a proporção de pessoas subnutridas até 2015. Porém, apenas Brasil, Camarões e Uruguai alcançaram a meta da Conferência Mundial da Alimentação, mais ambiciosa – que é a redução do número absoluto da fome.
  • E uma das frentes desse projeto governamental conhecido como Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que liberou R$89 mi para aquisições de alimentos no ano de 2015, beneficiando agricultores locais, que tem seus produtos comprados pelos governos locais para escolas, hospitais e creches, por exemplo. 
  • Importante essa semana também foi a adoção pela OMC de um acordo inicial em mais de 20 anos, o que desemperra as negociações da atual Rodada Doha. O protocolo permite implementar o Acordo sobre a Facilitação do Comércio, foi aprovado por consenso e após uma negociação bilateral Índia e Estados Unidos para garantir cláusulas que garantam a segurança alimentar indiana, o protocolo pôde ser negociado e fechado pelos membros.
  • E uma boa síntese da discussão sobre o uso de novas tecnologias na agricultura é apresentado por Gustavo de Freitas Morais, numa exposição sobre a relação da Fome com a propriedade intelectual.
Internacional
  • Existe um programa na América Central para o combate a fome, o Sistema de La Integración Centroamericana (SICA) apresentou os resultados do projeto de luta conjunta contra a insegurança alimentar. Este programa envolveu seis países da região e com a ajuda da União Europeia, beneficiou 3 milhões de pessoas. 
  • A realidade da Colômbia, com mais de 5,5 mi de pessoas em insegurança alimentar, é geográfica e socialmente exposta nesta reportagem. Que pode ser complementada com esta reportagem, que expõe a redução das terras cultiváveis em Bogotá.  
  • A insegurança alimentar tem gênero. Sabe-se que ela é muito maior em mulheres e crianças, e sobre isso, esta matéria evidencia a importância e complexidade do gênero no contexto da insegurança alimentar.  
  • O Banco Mundial divulgou esta semana um total de $107 mi em ajuda alimentar.
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domingo, 23 de novembro de 2014

Clipping FomeRI (16/nov/14 a 22/nov/14)



Nesta série de posts selecionaremos links importantes de reportagens, artigos científicos ou textos de blogs sobre o assuntos relacionados a fome, a segurança alimentar e nutricional, e as Relações Internacionais.



No Brasil
  • Na semana de comemoração do Dia Nacional de Consciência Negra, um relatório, publicado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), deixou em evidencia que a insegurança alimentar é observada em 41,1% da população em quilombos. Para mais informações, veja reportagem da Band ou o relatório do MDS. 
  • Ocorreu nesta semana a II Conferência Internacional sobre Nutrição. No Brasil o destaque maior foi sobre a mobilização dos líderes de 170 países e pela atuação do brasileiro José Graziano da Silva, veja reportagem completa aqui. 
  • O Site das Nações Unidas destacou sua fala de encerramento sobre o recomeço de uma agenda internacional para a erradicação da fome da malnutrição (que engloba desde o estágio de insegurança alimentar, a fome oculta e a obesidade). Veja reportagem completa aqui. 
  • Já o jornal O Estado de São Paulo destacou a fala do Papa Francisco na Conferência, tratando sobre a prioridade do lucro no atual sistema internacional. Para mais, clique aqui.
  • Em artigo publicado na Carta Capital, Rui Daher compara a agricultura brasileira e estadunidense, tratando do tema da agricultura familiar no estágio tecnológico de ambos os sistemas. 
  • Ainda sobre agricultura, esta nota do CEPEA afirma que o agronegócio do Brasil terá um lucro menor, mas o que na verdade chama a atenção são os números: o Brasil aumentou sua participação no comércio internacional em algo em torno de 230% desde 2000.
  • As oscilações nos preços advêm das oscilações de safra, determinadas por fatores naturais. Esta reportagem explica as mudanças climáticas na América Latina e algumas provisões, como a de que o sul do Brasil ficará mais seco e o nordeste mais chuvoso. Essas bruscas variações provocam problemas para a agricultura e consequentemente o mercado e a insegurança alimentar mundial. O destaque dessa reportagem está também no alerta feito ao consumo de água não só na alimentação, mas nos bens de consumo em geral. 
  • Já na linha mais política da fome, o embaixador do Brasil na Ucrânia nos relembra do chamado Holomodor russo, e o uso político dos alimentos.
Internacional





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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Publicado o Relatório "The State of Food Insecurity in the World 2014" da FAO


A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura divulgou hoje o relatório "The State of Food Insecurity in the World 2014". O documento constatou que a fome no mundo diminuiu. O número de famintos passou de 842 milhões em 2013 para 805 milhões em 2014.


Embora a diminuição da fome tenha se acelerado, algumas regiões ficaram para trás. A Ásia é onde vive o maior número de desnutridos: 526 milhões de pessoas.

O relatório inclui também sete estudos de caso: Bolívia, Brasil, Haiti, Indonésia, Madagascar, Malawi e Iêmen.

Com relação ao Brasil, o estudo aponta que esforços iniciados em 2003 resultaram na elaboração de políticas que efetivamente reduziram a pobreza e a fome. O relatório cita o Programa Fome Zero como uma das principais ferramentas responsáveis pelos resultados positivos constatados no país.

Link para acesso ao relatório completo: http://www.fao.org/3/a-i4030e.pdf





                                                                                                                                            Por Atos Dias
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sexta-feira, 25 de julho de 2014

VI Cúpula dos BRICS: evidências de um plano da agricultura emergente?

BRICS fortalecem cooperação sul-sul em busca de fortalecer suas inserções no sistema internacional – bem como programas na agricultura e segurança alimentar


Fonte: ibtimes
O anúncio da criação do Banco dos BRICS observado na semana passada mostra que há um questionamento às instituições financeiras multilaterais atuais, que tem se mostrado pouco receptivas às demandas específicas de países em desenvolvimento. Este artigo não pretende discutir o sistema financeiro internacional vigente, mas busca questionar se a criação do Banco do BRICS representa uma oportunidade para o fortalecimento de seus programas agrícolas e de segurança alimentar.

As economias emergentes estão em destaque devido a seu crescimento econômico, aumentando a participação no comércio internacional e no mercado financeiro, e a maior participação econômica pode se transformar em um ganho de poder político a nível internacional. Isso corrobora para o que Pecequilo (Pecequilo apud Moreira Jr, 2012)[1] afirma, que existe uma articulação (aliança) entre os países emergentes na forma de questionamentos contra o atual sistema de poder internacional, aos modos da hegemonia estadunidense.

O Banco

Após a VI cúpula dos BRICS, ocorrida em Fortaleza entre os dias 15 e 17 de Julho, foi lançado o Novo Banco do Desenvolvimento (NBD). No total, serão US$ 50 bilhões divididos igualmente entre os membros. Criou-se também o Arranjo de Contingente de Reservas (ACR), de total de US$ 100 bilhões de dólares, sendo repartido assim: China com maior participação, US$ 41 bi; Brasil, Rússia e Índia com US$18 bi cada um; e África do Sul com um total de US$5 bi. O objetivo do banco é de suplementar as atuações do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, principalmente para atuar no financiamento de projetos de seus membros e empréstimos a outras economias emergentes [2][3].

Além de fortalecer a cooperação entre países tão diferentes que demonstram objetivos semelhantes, o Banco apresenta algumas linhas de financiamento, que são: infraestrutura e energia sustentável, inovação tecnológica e industrial, área de serviços e na agricultura [4].

A reunião também originou muitos tratados e acordos paralelos, principalmente entre os membros, mas também entre os países convidados da América Latina. Porém, a imprensa vinculou apenas questões relacionadas ao banco, e não mencionou que paralelamente ocorrem encontros dos Ministros dos BRICS em torno de pautas comuns, no intuito de solidificar ainda mais a cooperação do bloco ao atuar em áreas diversas [5].

Agropecuária e Segurança Alimentar em pauta

Os encontros de Ministros dos BRICS são anuais. Em 2011, aconteceu na China o segundo encontro, e como pauta de discussão estavam: segurança alimentar, adaptação da agricultura às mudanças climáticas, cooperação tecnológica e promoção do comércio. Norteou a discussão a compreensão de que a cooperação tecnológica e melhorias na produção aumentariam a oferta de alimentos, reduziriam preços e com isso, a segurança alimentar seria garantida [6].

O encontro de 2013, na África do Sul, buscava uma ação conjunta para reduzir o impacto das mudanças climáticas na segurança alimentar, desde produções que reduzissem a degradação e poluição, até culturas que sofressem menos danos. Ambas as melhorias são conseguidas com o desenvolvimento das técnicas de semeadura, irrigação e trato das colheitas [7]. 
Mesmo não sendo a principal pauta da reunião deste ano dos BRICS, o Brasil objetivou renovar acordos comerciais paralelamente, como o da agropecuária com a China. E acordos de outras áreas também visaram melhorar a logística e produção de mais commodities para a China [8], que atualmente lidera o ranking de maiores parceiros comerciais do Brasil, demonstrando que não há previsão de mudanças. Pelo contrário, o Brasil demonstra que têm uma relação de dependência da China, por ser uma relação assimétrica. Os investimentos chineses visam seu abastecimento e por isso buscam melhorias logísticas e produtivas aqui, direto na fonte, no Brasil.
Ao considerar o aspecto do interesse brasileiro, o interesse se volta para a intensificação da abertura dos mercados agrícolas com seus parceiros dos BRICS. Um exemplo é retomar na China o comércio de carne bovina; e com a Rússia, a exportação de carne bovina e suína [9].
Já com a África do Sul e Índia, o Brasil apresenta uma abordagem diferente, visando a convergência de interesses em torno de um projeto agrícola benéfico a todos, mas sem lograr muitos avanços desde a última reunião. A imprensa brasileira, porém, pouco tratou do acordo. [9]. Vale lembrar que há o chamado Acordo de Bali, pertinente de ser discutido diante da presença dos atores da liberalização agrícola multilateral. Os BRICS o citaram na Declaração de Fortaleza como um fator a ser considerado nas novas negociações agrícolas. A imprensa brasileira, porém, deu pouca atenção aos acordos.

Acordo de Bali e OMC

Acordo de Bali é um acordo multilateral como parte da Rodada Doha (Rodada do Desenvolvimento). O pacote foi aprovado por consenso, mas com objeções importantes sobre o cerne da agricultura. O pacote é entendido como um ‘acordo abrangente de facilitação do comércio global através da redução de barreiras comerciais, contudo, menos ambicioso do que o desenhado há 12 anos em Doha’ (NOGUEIRA, et. al., 2013: 3) [10]. O acordo abrange todas as áreas da OMC, mas é apenas 10% do projeto inicial. Na agricultura tem como objetivo o desenvolvimento rural, a segurança alimentar e o combate à pobreza. Uma cláusula importante é a que se refere à permissão de estoque de alimentos por parte dos países em desenvolvimento para a segurança alimentar dos mesmos. 
Aos BRICS, é de grande interesse que este acordo seja implementado. Além da superação das barreiras ao comércio internacional, foi evidente a reivindicação de cada membro do BRICS. O Brasil defendeu o fim dos subsídios agrícolas. África do Sul e Índia, por sua vez, justificaram a contestação com a preocupação da segurança alimentar. China e Rússia buscam uma abertura cada vez maior, pois é vantajosa para exportação e importação [11]. 
Na reunião dos BRICS da semana passada o caso do Acordo foi citado, e os ministros afirmaram que o mesmo seria ratificado e internalizado pelos signatários, independente dos interesses em cada aspecto [12].
Assim, observa-se uma convergência de posicionamento dos países membros. Todos buscam se fortalecer mesmo com alguns interesses divergentes, em nome do fortalecimento do grupo. As resoluções sobre a agricultura da ‘Declaração de Fortaleza’ [13][14] mostram justamente que a cooperação e comércio agrícola vêm se fortalecendo, ao mesmo tempo em que as preocupações de segurança alimentar e desenvolvimento são a direção. 
Portanto, a declaração da segurança alimentar nos últimos fóruns dos BRICS, bem como políticas de desenvolvimento pela via do incentivo à agricultura, fazem crer num novo modo de agir dos países em desenvolvimento que, ao vivenciarem o problema, se tornam mais ativos na solução e cooperação, numa outra via que não inclui atores mais tradicionais. Paralelo, estão os países desenvolvidos que se encontram imersos em um sistema internacional cada vez mais restritivo, e que clama por reformas. Resta-nos, além da discussão, a oportunidade de observarmos o delinear da efetividade das resoluções dos BRICS, especificamente no tema da segurança alimentar. 


Referências Bibliográficas:
[1] MOREIRA JR., Hermes. (2012), Os Brics e a recomposição da ordem global: estratégias de inserção internacional das potências emergentes. Revista Conjuntura Austral, Vol 3 Nº 9-10, Dez 2011-Mar-2012. Disponível em: seer.ufrgs.br/ConjunturaAustral/article/download/24508/15310. 
[10] NOGUEIRA, A.; OLIVEIRA, J.; FERREIRA, P. C. (2013), Desdobramentos do XI Encontro de Minitros da OMC e as agendas dos países do BRICS para Bali. BRICS POLICY CENTER: BRICS MONITOR, Dezembro de 2013 Disponível em: http://bricspolicycenter.org/homolog/uploads/trabalhos/6353/doc/1550829127.pdf


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sexta-feira, 13 de junho de 2014

A proposta de integração da produção agrícola na América Latina

Brasil e vizinhos propõem cooperação para fortalecer inserção agrícola internacional

Mapa com as bandeiras da América Latina 
Os modelos de integração regional preveem a integração dos mercados e das cadeias produtivas como resultado das articulações políticas. O processo, no caso latino-americano de integração regional, tem sido parcial. Entretanto, as negociações e acordos políticos para que o processo da integração avance são contínuos. 

Um exemplo disso é a criação de comissões e agências para a coordenação política. Temos exemplo disso no aspecto da segurança e defesa hemisférica (JID, CMDA), que são agências dos países americanos de caráter cooperativos. Alguns analistas da área afirmam que a cooperação na defesa traria benefícios para a cooperação e integração nas áreas econômicas e políticas, uma vez que modificou a percepção dos atores. [1] 

Subjacentes aos avanços mais inovadores da integração sul-americana, temos os pontuais, e agenciados em representações multilaterais com sede em um dos estados membros e com encontros periódicos para a consulta, articulação das ações tomadas, objetivando benefícios regionais. Um exemplo desse processo é o Conselho Agropecuário do Sul (Consejo Agropecuário del Sur), atualmente com sede em Santiago no Chile e também sob a presidência do atual Ministro da Agricultura, Carlos Funche.

HISTÓRICO

O Conselho Agropecuário do Sul (CAS) foi criado em 2003 por seis países do Cone Sul: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. Foi idealizado para ser a instituição de discussão, de consulta e coordenação das ações regionais dos ministérios da agricultura dos respectivos países sobre o setor agropecuário. Outro objetivo paralelo é o fortalecimento das trocas comerciais (ou não) agropecuárias intra-regionais. E atualmente está amparado sob o projeto da ALADI (Asociación Latino-americana de Integración) o qual objetiva um Mercado Comum latino-americano. 

Na agenda da CAS tem por norte o desenvolvimento sustentável da região e a solução de problemas comuns (agropecuários, florestais, pesqueiro; assim como nas negociações internacionais, sanitário ou fitossanitário e sobre recursos humanos e materiais). Por isso questões da produção, mecanização do setor agrícola, desenvolvimento rural, logística e comércio regional e internacional estão em pauta. 

A organização ainda observa a atividade dos diversos fóruns internacionais normativos e técnicos relacionados. Os encontros são anuais, mas podem ocorrer extraordinariamente. Dentro do âmbito do CAS existem subagências ainda mais especializadas e que forma a Rede de coordenação de Políticas Agropecuárias. 

Como justificativa para a criação de uma agência integrada sul-americana se ampara na ideia de que este esforço conjunto melhoraria a inserção do setor agropecuário dos países membros (MERCOSUL + Chile + Bolívia) em mercados mundiais. 

INSERÇÃO AGRÍCOLA INTERNACIONAL

Essa articulação se faz cada vez mais importante no atual contexto sul-americano, uma vez que boa parte da produção mundial advém de alguma América Latina e as projeções sobre a produção agrícola de alimentos evidenciam o papel da região nas próximas décadas [2]. A região apresenta terras produtivas, clima e fatores de produção para a produção, tanto que só aumenta seu volume de produção, ao contrário dos continentes europeus e africanos. Com isso, a região se encontra no ranking dos maiores produtores. 

A América Latina amparou e ampara uma parte significativa de seu desenvolvimento econômico no comércio agrícola, uma vez que representa parte importante do PIB dos países da região. Observem no gráfico 1 abaixo, os dados os oriundos do Banco Mundial. Entre todos os países aqui destacados a agricultura no Paraguai apresenta maior porcentagem no PIB. Em seguida estão Bolívia, Argentina e Uruguai. O Brasil e o Chile apresentam a menor porcentagem. Isso demonstra que alguns países são mais dependentes da agricultura para a produção de divisas e outros tem as exportações mais diversificadas. Entretanto, a porcentagem mundial é menor a de todos os países evidencia que na América Latina a agricultura apresenta importância para o crescimento econômico e superação do subdesenvolvimento.

Gráfico 1.
Fonte: Produzido pela autora com base nos dados coletados no Banco Mundial
A importância da agricultura no processo do desenvolvimento acontece principalmente por causa da chamada multifuncionalidade da agricultura, que além de diversos produtos agrícolas derivados produz ainda: segurança alimentar, conservação do meio ambiente, emprego e desenvolvimento das comunidades rurais e suas culturas, segundo um relatório da OMC sobre agricultura e desenvolvimento [3]. 

Para melhor compreensão do aspecto da segurança alimentar devemos partir do pressuposto do aumento da oferta de alimentos juntamente com a estabilização e redução de seus preços, que aliada ao aumento do poder aquisitivo das sociedades promove o acesso ao alimento. A conservação ambiental está relacionada com programas com pressupostos do desenvolvimento sustentável. Por fim, a agricultura ainda evitaria problemas migratórios e urbanos. 

Analisando criticamente o aspecto da importância precisamos lembrar dos interesses e pressões dos empresários do agronegócio envolvidos. Para conseguir mais lucros e subsídios, se organizam politicamente e se utilizam de meios para pressionar o governo a atender a seus interesses particulares e capitalistas (o lucro), podendo desviar os congressistas e Ministros do objetivo inicial do desenvolvimento nacional e manipular resultados em seus benefícios. O governo, por sua vez, se vê diante de um setor externo importante e do objetivo do desenvolvimento. Como convergi-los? 

Esse trade-off para o desenvolvimento gera a questão de observar interesses de setores domésticos e externos que podem ou não ser oriundos de diferentes concepções sobre o desenvolvimento. Isso enriquece o debate sobre os incentivos a produção agrícola e sobre a cooperação internacional contribuir com melhorias sociais e às condições humanas. Num contexto político pluralista, os interesses na política advirão dos grupos mais poderosos e influentes no processo de tomada de decisão e que nem sempre estão interessados nas melhorias sociais ou preservação ambiental, muito menos representam a maioria da população. 

Contudo, os problemas de insegurança alimentar ainda existirem em um mundo com produção suficiente para alimentar a todos demonstra que os interesses são a força motriz do contexto internacional. Cabe a políticos, acadêmicos e população em geral, conscientes dos problemas, compartilharem o conhecimento e pressionarem por ações menos elitistas, principalmente num Brasil de fartura e miséria.
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terça-feira, 28 de maio de 2013

Brasil aumenta sua contribuição para a FAO

O governo brasileiro anunciou que vai aumentar sua contribuição para o orçamento regular da Food and Agriculture Organization (FAO) em aproximadamente 15 milhões de dólares para o biênio 2014-2015. O repasse brasileiro para o biênio anterior teria sido de cerca de 16 milhões de dólares. O aumento pode ser mais um sinal de que o governo brasileiro está engajado em posicionar o país como um líder internacional em assuntos agroalimentares e de segurança alimentar [1].

Além do recente aumento nos recursos regulares para a FAO, o Brasil elevou significativamente suas doações em espécie para as operações de emergência do Programa Mundial de Alimentos (PMA) nos últimos anos. Entre 1999 e 2006, por exemplo o país não havia realizado nenhuma contribuição para o PMA, mas terminou 2011 com mais de 20 mil toneladas de alimentos doados [2].

Outro elemento que reforça a posição do Brasil foi a eleição de José Graziano da Silva para Diretor-Geral da FAO em 2011. Graziano foi Ministro Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome no governo Lula, onde comandou o Programa Fome Zero. A experiência brasileira no combate à fome está agora sendo levada à África por meio do Purchase for Africa from Africans, um projeto inspirado no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), integrante do Fome Zero [3].

O orçamento regular da FAO para o biênio 2012-2013 é de 1,005 bilhão de dólares. Além desses recursos previstos pela contribuição dos Estados membros, a agência espera coletar cerca de 1,4 bilhão de dólares em doações voluntárias adicionais. 

Parcela de contribuição para o orçamento regular da FAO

Membro
2014-2015
2012-2013
1
Estados Unidos
22,000
22,000
2
Japão
10,892
12,590
3
Alemanha
7,180
8,056
4
França
5,623
6,152
5
Reino Unido
5,207
6,636
6
China
5,176
3,204
7
Itália
4,472
5,023
8
Canadá
3,000
3,222
9
Espanha
2,989
3,192
10
Brasil
2,950
1,619
11
Rússia
2,451
1,610
12
Coreia do Sul
2,271
2,005
13
Austrália
2,085
1,942
14
México
1,852
2,367
15
Holanda
1,663
1,864
16
Turquia
1,335
0,620
Fonte: Elaboração própria a partir de da Comissão de Finanças da FAO [4]

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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Segurança alimentar: países em desenvolvimento apresentam proposta na OMC

"Uma proposta sobre subsídios de "caixa verde" foi apresentada à Organização Mundial do Comércio (OMC) pelo G-33 - grupo que reúne países em desenvolvimento com um número significativo de agricultores familiares, tais como China e Índia. No documento, a coalizão defende a adoção de regras mais flexíveis para a adoção dos subsídios agrícolas incluídos na chamada "caixa verde" da OMC, isto é, programas de ajuda que, devido ao limitado grau de distorção sobre o mercado internacional, são excluídos dos compromissos de redução tarifária ou de fixação de um teto específico.

O G-33 defende que novas regras sejam instituídas para controlar estoques públicos de alimentos voltados à garantia da segurança alimentar ou à concessão de ajuda à população mais vulnerável. Mais especificamente, o grupo defende que recursos utilizados para o estabelecimento de uma reserva doméstica, assim como programas específicos destinados a apoiar a agricultura familiar, sejam excluídos do cálculo dos subsídios concedidos por cada país.

Além do receio de que a flexibilização das regras seja usada para promover a exportação de bens agrícolas, outros potenciais pontos de discordância foram identificados na proposta. Por exemplo, não existe uma definição para o termo “produtores de baixa renda ou desprovidos de recursos” no texto apresentado pelo G-33. Embora seja citado em uma série de documentos da OMC, o termo pode ser interpretado de diversas formas segundo a abordagem dos governos nacionais. Para alguns negociadores ouvidos pelo International Centre for Trade and Sustainable Development (ICTSD, sigla em inglês), é improvável que a proposta alcance o apoio necessário para sua adoção.
Cabe ressaltar que o texto não foi o único a ser discutido na reunião informal realizada em 9 de novembro: na mesma ocasião, o G-20 – coalizão agrícola também formada por países em desenvolvimento – apresentou duas propostas que insistem na reforma das políticas agrícolas dos países desenvolvidos.
Segundo fontes consultadas pelo ICTSD, a apresentação da proposta sugere um interesse do G-33 em paralisar as negociações. Em meio aos preparativos para a Conferência Ministerial de Bali, os negociadores consideram que um acordo deve envolver avanços em matéria de facilitação de comércio e de cotas de importação para bens agrícolas. Contudo, diversos países mostram-se resistentes a oferecer concessões em temas como simplificação de procedimentos alfandegários.
Tradução e adaptação de artigo originalmente publicado em Bridges Weekly, Vol. 16, No. 39 – 14 nov. 2012."
http://ictsd.org/i/news/pontesquinzenal/150153/
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